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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pirataria de livros

Quando digo pirataria de livros, não estou falando dos exemplares xerocados em massa pelos estudantes brasileiros, mas uma forma de pirataria infinitamente superior que existe no Peru. Enquanto nos viramos com cópias preto e branco de livros acadêmicos, eles compram romance com capa e tudo em camelôs. A matéria original está no The Guardian e quem lê inglês deveria ver o incrível trabalho jornalístico que fazem lá.


Mas para quem prefere o português...

O mercado de livros piratas no Peru é independente do mercado legítimo e tão lucrativo quanto. Traduções de livros que fazem sucesso no mundo inteiro podem ser encontradas na rua antes de a livraria liberar uma data para o seu lançamento. Além de ter "lojas" em muito mais pontos do que as livrarias, o mercado pirata tem uma feira de livro conhecida como Amazonas e cujo slogan é "Paraíso de loslibros", onde você pode encontrar praticamente qualquer coisa que quiser.


Para tentar combater o ilegal as editoras fazem de tudo, menos diminuir o preço das edições. A principal ação deles é colocar um selo "Compre o original" na capa dos livros. O autor mais vendido no país - vejam só - é Paulo Coelho e o seu lançamento O vencedor está só. Mas não se preocupe, Crepúsculo também marca presença.

A polícia de lá faz o mesmo que fazem com shopping populares aqui e apreendem cópias piratas ou sem recibo. Em um único dia 90.000 exemplares foram apreendidos em um mercado. Antes do final do dia eles já tinham reposto o estoque.

No Peru, a alfabetização cresceu no último século, mas muitos ainda falam língua indígenas e são marginalizados. Para o The Guardian, a literatura é encarada como a melhor forma de sair da periferia e adquirir conhecimento.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Submarino vende 10.000 livros a R$ 10,00


A Submarino está com uma promoção e vende 10.000 livros por R$ 10,00 cada. A promoção começou há um tempinho, mas só fiquei sabendo agora. Imagino que eles estejam tentando esvaziar o depósito, o que sempre é potencialmente bom para os leitores!

Dei uma olhada no conteúdo e lá você pode encontrar muitos livros de edições mais antigas e clássicos. Além deles, tem John Grisham e Tolkien à vontade. Também encontrei um preciosícimo exemplar de Um grande garoto, do Nick Hornby. Isso só na seção de Literatura estrangeira.

Vale a pena dar uma olhada...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Literatura Independente em São Paulo

São Paulo é umm caldeirão de culturas e informações, disso ninguém tem dúvida, mas além do que acontece e é formalizado pela indústria e a imprensa, a cidade tem muito do que eu chamo de Literatura Independente.

Literatura Independente é tudo aquilo que é publicado pelo proprio autor. No caso dos livros sem uma editora por trás, ajudando, pagando as contas. É uma forma bem ousada de publicar e se der prejuizo é o autor quem sai perdendo dinheiro, mas é uma forma de novos autores colocarem os seus trabalhos na rua, sem ter que pedir permissão para um conselho editorial.

Recentemente descobri dois novos exemplos de pessoas que vão se esquivando de forma bem sucedida à publicação formal. O primeiro é um vendedor de rua/escritor que acredita em seu trabalho a ponto de vendê-lo cara a cara com o leitor. ¨Oi gente, esse é um conto que eu escrevi e estou vendendo...¨ Ricardo Carlaccio acredita em vender ele mesmo e para isso passou a sexta-feira a noite andando a Rua Augusta e oferecendo o seu trabalho.

Ele diz que outro amigo dele também imprime o que escreve, mas é mais tímido. ¨Aí eu convenci ele a pelo menos levar onde ele está indo e oferecer para quem estiver lá¨, contou. Ele acredita que o escritor tem essa fama de ser tímido de ser intropesctivo e falar atraves da sua arte, mas assim não tem como ganhar a vida escrevendo...

O outro exemplo que descobri é o livro de Jonathan Swift sobre a situação das crianças da Irlanda que a Clarah Averbuck traduziu e a Editora do Bispo publicou. O livro mais parece material publicitário do que livro, mas é barato (15 reais) e mostra que há utras formas de fazr um livro ficar bonito e interessante sem uma editora por trás.



sábado, 30 de maio de 2009

Ficção de Polpa 3 - a saga continua

Parece que a ideia tem dado certo, afinal o pessoal do Ficção de Polpa continua a publicar seus livros. Agora sai o terceiro volume da série de contos que não foca em nenhum dos três grandes gêneros aos quais se proporam: ficção científica, fantasia e terror.

Os outros dois eram legais, vale a pena conferir o terceiro, que deu um inovada e tem até quadrinhos. Custa 20 reais.

Para ler sobre os outros dois venha aqui e aqui.


Via Omelete.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Quer vender uma coisa chamada livro?

Em clara resposta à nossa revista nacional de cultura, a Cult, eu venho aqui. Acabei de comprar a última edição, que diz na capa ter uma "reportagem" sobre novas formas de vender livros. Não leio essa revista com frequencia, mas achei o tema muito interessante. Que surpresa a minha ao constar que a reportagem tem somente três páginas (pequenininha) e enche o leitor de estatísticas de venda de livros, mas contar o que tem de novo mesmo, nada.

O foco do autor é falar de como os livros são vendidos fora das livrarias desde a época de Monteiro Lobato, que sugeriu que o livros fosse tratado como bacalhau, batata ou querosene. Só mais um artigo. E que hoje isso continua acontecendo, sendo que 65% dos livros são vendidos fora de livraria, 19% em bancas. Ele também dá outra "notícia". Livro vende bem na internet.

Nas páginas vemos fotos de livros no supermercado, no posto de gasolina e até no bar (que é realmente só uma curiosidade e não uma tendência), mas ele esquece de falar que a maioria desses livros são de auto-ajuda, cursos rápidos etc. Não é literatura, muito menos brasileira, sendo vendida.

Também esquece que os tão aclamados pockets brasileiros se resumem a clássicos ou a livros que as editoras não conseguem vender mais a capa dura. Quero ver o aumento das vendas o dia em que lançarem ao mesmo tempo a edição bacana e a fudida.

Vale voltar no tempo do blog e ver que já falamos disso aqui e aqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Meca dos leitores


Tem um lugar que sempre me faz sentir melhor e, recentemente, eu tive a oportunidade de ir lá, visitar. Para quem não sabe ainda, esse lugar se chama Praça da Sé, em São Paulo. Não se assuste, não estou confundindo com nenhum outro lugar! A Praça da Sé é realmente um lugar que sempre me faz ficar mais feliz.

Mas como isso é possível??

Eles têm os melhores e maiores sebos que eu já conheci. A primeira vez que visitei esse local turístico que ainda não foi descoberto/destruído pelos turistas foi durante o carnaval de 2008. Ahhh, belos tempos em que eu passei o dia inteiro na companhia de dois amantes do livro como eu e, juntos, compramos mais de 30 livros... Nenhum por mais de 25 reais.

São sebos de quatro andares, sebos que são só uma portinha, sebos que se especializam em coleções e têm aquele livro que seu primo perdeu e está faltando na sua! Por uns 10 reais no máximo, é claro!

E esse ano, tive novamente a experiência quase catártica de ir a Sé, entrar nos sebos e sair com livros na mão, sem perder muito dinheiro no bolso! Consegui dois Isaac Asimov, um por cinco e o outro por quinze, dois Terry Pratchett, um por cinco e o outro por quinze, novamente, Marion Zimmer Bradley (Pronto! admiti!), dois Sophie Kinsella (a Shopaholic é demais!!), e um Harold Robbins, que não conhecia, mas ouvi dizer que é legal.

Tudo bem, eu sei que eles não são novos, já vem com a lombada marcada e alguns estão até amarelados, mas para mim são novíssimos. Essas histórias são inéditas, incríveis e imperdíveis.

Então se eu estou meio ausente do blog ultimamente, não repara não, é porque estou com um carregamente de livros novos (pelo menos para mim!) que precisam da minha atenção!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Promoção relampago - somente dia 25 e 26

Eu sei que está em cima da hora, mas para aqueles que estavam passeando pelo blog hoje, a fnac está fazendo uma promoção relampago com 50 títulos para comemorar seus 10 anos de empresa!

Vale a pena passar e ver se algo te interessa! A promoção só vai até amanhã, dia 26 de março.


O Alessandro Martins do Livros e afins fez uma lista destacando os livros mais interessantes que eu reproduzo aqui:

  • O caçador de pipas, de Khaled Hosseini
  • Antologia Poética de Vinicius de Moraes
  • Eles Continuam Entre Nós, de Zíbia Gasparetto
  • Longe Daqui, de Amy Bloom
  • Ponta de Lança, de Oswald de Andrade
  • Eu Sou o Mensageiro, de Marcus Zusa
  • Marketing Para o Século 21, de Phillip Kotler
  • Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, de Sophie Kinsella
  • Qual é a tua obra, de Mario Sérgio Cortella
  • Eu e Você, Você e Eu, de Martha Mendonça
  • Sexo no Capitólio, de Jessica Cutler
  • A Era dos Impérios, de Eric Hobsbawm
  • O Roubo da História, de Jack Good
  • O Livro Perigoso Para Garotos
  • Mestre dos Mares - A Ilha da Desolação, de Patrick O’Brian
  • Meu Destino é Ser Onça, de Alberto Mussa
  • Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias, de Scott Fitzgerald
  • Muita Calma Nessa Hora, de Bjorn Lomborg
  • Toda Casa Precisa de Varanda, de Frank Rina

quarta-feira, 25 de junho de 2008

E se a gente abrisse mão do livro ser bonitão?

Acredito que é seguro dizer que todo mundo já foi abordado por algum vendedor de poesias. São pessoas que ficam na porta de centros culturais, em frente a cafés e nas universidades, te oferecendo uma folha ou um caderninho de poemas. Normalmente eles não cobram muito pelo que fazem, o máximo que eu já paguei foi R$ 5,00 por uma brochura bem gordinha de poesias, o "Palavriado" do Renato Limão.

Eu estava pensando sobre o que essas pessoas fazem. Escrevem poesias - coisa que eu acho super difícil - e se colocam no lugar absurdo de complicado, que é o de vender sua arte pessoalmente, entrando em contato direto com as pessoas que compram. E, conseqüentemente , colocando a cara a tapa. Isso requer uma coragem que nem todo mundo tem - eu me incluo aqui. Sempre compro esses caderninhos. Não porque eu goste de poesia, porque eu não gosto, mas porque eu acho essa iniciativa tão legal que não deixo de pegar.

Os últimos que comprei foram o Mais ou Menos do Guilherme Coruja, e O SOL d'O SUL do Lênon Kramer. Os dois vendem em Belo Horizonte, mas com certeza na sua cidade tem outras pessoas que vendem outros caderninhos.

Acho que eu já deixei bem claro que tenho uma enorme admiração por quem vende seu trabalho cara a cara com o cliente. E foi pensando nisso que eu me dei conta que, tirando os livros a R$ 2,00 do pojeto a tela e o texto, eu nunca vi ninguém que escreve prosa vender seus livros dessa forma. Já vi gente vendendo livros que foram impressos por editoras nas ruas, mas nunca vi alguem com um conto, por exemplo, impresso em papel comum. E eu acho que essa é uma idéia muito boa!

Em todos os lugares vejo o pessoal querendo publicar seu livro. Mas o objetivo de publicar não é ser lido? Que forma melhor de ser lido do que colocando o material na frente das pessoas a um preço acessível? Pensa só, se você imprime um conto, ou tira xerox fica baratinho. Aí você vende por digamos... R$ 1,00. A cada conto vendido ganha uma grana. E a cada conto vendido você conhece a pessoa que comprou ele, pode trocar uma idéia, ou só vender e ficar feliz pensando que aquela pessoa vai ler o que você escreveu. Eu acho que isso funcionaria bem.

Eu vou tentar acabar um conto e ver se eu reúno coragem para fazer isso. Não custa nada tentar, né?

Se você veio ao blog para tentar a sorte e ganhar o Ficção de Polpa, clique aqui

terça-feira, 3 de junho de 2008

Motosierra en Manos

Mais uma editora independente!! Motosierra en Manos é uma editora (ou quase isso) que faz questão de proporcionar o material que tem pelo preço mais barato possível. Mesmo que isso signifique xerox. Eles trabalham com textos mais antigos ou com copyleft e vendem as cópias por até R$ 5,00, mas são raros os livros que chegam a tanto. A maioria fica entre R$ 0,75 e R$ 2,00, quase o preço do xerox mesmo. Olhando a tabela pela primeira vez fiquei muito chocada, eles não devem conseguir tirar quase nenhum lucro disso! Quem tiver interesse em comprar é só conferir a lista de produtos aqui e entrar em contato com o pessoal no memdistro@riseup.net.

A iniciativa é daqui de Belo Horizonte, mas é uma idéia que parece estar pegando em todo lugar. Nesse post falei sobre a falta de opção dos novos escritores. Bem, quando fui no Carnaval Revolução desse ano vi muita gente vendendo o xerox do livro. Inclusive do próprio livro, não só de um autor conhecido. Ganhei uma "edição" de Janis Biro, que vendia seu livro a R$ 2,00 (se me lembro bem). Como eu estava vendendo alguns livros da crimethInc e Deriva, ele resolveu colaborar com o meu conhecimento e me deu uma cópia de "Crenças Letais" (18 páginas) e me contou que estava com um acordo com a própria Deriva para publicar e que em breve teria uma edição mais bacana. Nem precisa dizer que não jogo fora meu xerox por nada né?

Além do Janis, o pessoal do Gato Negro - coletivo vegan - também vendia seu livro. A encadernação era em espiral e eles ficaram um tempo grande trocando idéia sobre como melhorar a edição. Isso é outra idéia válida, se você não quer pagar uma editora para publicar pode tentar juntar amigos e montar sua edição você mesmo.

Eu coloquei essa questão aqui antes, mas fico pensando o que as outras pessoas acham disso... Será que dá para ser razoavelmente bem sucedido vendendo xerox do seu livro, pagando para uma editora ou algo assim? Como o pessoal dessa comunidade me lembrou, muitos escritores geniais começaram pagando a sua publicação. Mas fica a grande pergunta. O que é melhor para um escritor que está começando?
  • Vender xerox?
  • Pagar uma pequena editora?
  • Bater perna nas grandes editoras?
  • Publicar online?
  • Nenhuma das anteriores.
O que você acha?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Muito além do LivroLivre


Só para todo mundo ver que o livrolivre existe no resto do mundo e funciona, minha amiga, Elisa Granha, estudante de Ciências Biológicas, escreveu sobre a sua experiência nos EUA.

Nesse último verão tive a oportunidade de trabalhar na ilha de Key West, a cidade mais ao sul dos EUA. Muitas diferenças culturais me chamaram a atenção e uma delas foi o fato de que na rua encontrávamos diferentes bens de consumo disponíveis: mesas, sofás, televisões, livros, etc. Eu já tinha um conhecimento prévio desse hábito, mas nunca tinha imaginado que os livros também se incluíam entre tais bens.

No Brasil, estamos acostumados a comprar livros e, após lê-los, guardá-los em mini-bibliotecas pessoais que são verdadeiros cemitérios de conhecimento. Nessa minha experiência intercambista, tive a chance de vivenciar uma prática muito mais racional e interessante, à medida que ela oferecia a outras pessoas a possibilidade de também se deleitarem com alguma obra que tivéssemos apreciado previamente.

Um dia qualquer tinha acabado de acordar quando dei de cara com uma amiga minha, que morava comigo em Key West, entrando em casa com diversos livros na mão. Alguns deles eram até de autores famosos como Stephen King e Agatha Christie. Ela os havia encontrado abandonados em frente a uma antiga casa de Hemingway, a qual é um dos pontos turísticos da cidade. Logo que me aprontei dei uma passadinha por tal lugar na esperança de ainda encontrar algum livro. O único livro que achei em frente a tal casa estava na mão de um mendigo, o qual o lia feliz da vida. Essa é outra grande diferença entre Brasil e EUA, as pessoas que vivem na rua lá são frequentemente vistas lendo tanto na rua quanto em bibliotecas.

A primeira vez que achei um livro entregado à própria sorte foi no primeiro dia de 2008. Tinha esquecido que era feriado e estava rumando para a biblioteca. Apesar de ter encontrado esta fechada, no caminho tive a sorte de me deparar com uma estante. Sim! Uma estante em plena rua repleta de livros e filmes também.

A facilidade de se obter livros nos EUA não é apenas observada nas ruas, na biblioteca também se vendia livros doados, sendo que o dinheiro arrecadado com os mesmos era usado para ajudar essa instituição. Lá livros como Harry Potter e as Relíquias da Morte e Código da Vinci, super preservados e originais, não passavam de doze reais. Além disso, a biblioteca também organizava uma feira gigante de livros, DVDs, CDs, VHSs e até discos de vinil. Nesse evento os preços variavam de 25 cents a um dólar. Comprei Freakonomics por um dólar e alguns livros de gramática francesa, os quais eu gostaria de ter comprado ainda no Brasil. Entretanto, aqui eram mais de cinqüenta reais e lá cinqüenta cents. Assim, é fácil entender o porquê dessa grande discrepância entre os índices de leitura per capita brasileiros e de países desenvolvidos.

Seria muito interessante se nós também começássemos a fazer esses tipos de ações. Ao invés do ciúme por nossos livros e o culto à virgindade estética eterna dos mesmos, uma maior oportunidade de leitura para todos. No final, o que mais trouxe em minhas malas foram livros para mim, minha família e meus amigos. Então da próxima vez que lermos um livro é bom nos perguntarmos sobre o quê é melhor fazer: “Pôr ele na estante ou passá-lo adiante?”


Quem tiver interesse em contar sobre sua experiência com a literatura alternativa ou escrever sobre algum livro que gostou pode mandar o texto para flavia.denise@gmail.com

domingo, 25 de maio de 2008

Bienal do Livro de Minas


Eu acabei de voltar da Bienal do Livro de Minas. Hoje foi o último dia, então como toda boa proteladora eu só fui lá hoje! Aconteceu no Expominas, um pouco longe, mas valeu a pena, faz tempo que não vejo tanto livro junto e isso sempre me deixa feliz!

Não vi nenhum dos eventos, bate-papo ou qualquer coisa do tipo. Eu fui lá atrás de livros e entre as 16 e as 20h eu e mais dois aficionados por leitura fizemos um zigue-zague entre os corredores e estandes. No final visitamos TODOS os estandes, apesar de nao temos entrado nos de religião.

No final o saldo foi de cinco livros novos, sendo o mais caro "A misteriosa chama da rainha Loana" do Humberto Eco, edição nova e bonitona de R$16,90. Eu comprei ele no estande que, na minha opinião, foi o que mandou melhor, o da Leitura. Quem diria que a grande livraria capitalista de Belo Horizonte teria a sensibilidade de fazer coisas tão legais. Para começar, o estande deles tinha uma entrada com limite de gente por vez.

Isso quer dizer que enquanto nos outros estades tinha gente te empurrando e esbarrando em você até chegar a raiva, na leitura você ficava um pouco irritado na fila, mas ela andava rápido e uma vez do lado de dentro, dava para andar e olhar livros sem empurrões ou estresse, como se estivesse numa livraria normal, só que um pouco menor.

Além do conforto eles tinham livros com até 70% de desconto. E não eram dois livros que já acabaram e o resto era de 5% não. Tinha Stephen King de R$ 15,00 e Kurt Vonnegut de R$ 4,90! A única coisa que ficou faltando foi as outras editoras e livrarias terem a mesma idéia de usarem de forma inteligente o evento.

Eu gostei muito da Bienal, sempre é legal esse tipo de coisa, mas tenho que dizer... A Feira do livro nao é exatamente assim, só que menor? Qual é o objetivo de começar outro evento igual a um que já existe? Eles podiam ter ao menos inventado algumas coisas diferentes para acontecer lá... E não me diga que teve coisas diferentes, não. Tudo que tinha lá, tem na Feira do Livro, só que maior e mais glamoroso...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Livros a R$ 2,00!!!


Quem teve essa idéia genial foi o pessoal do programa "A tela e o texto" da Faculdade de Letras da UFMG. Os livros são pequenos, cerca de 15 cm por 10 cm, impressos em preto e branco com uma capa de um material diferente, mais grosso. Têm por volta de 64, 66 páginas, depende do livro e custam R$ 2,00.

O objetivo é fazer livros para quem não pode pagar mais do que isso pela obra. O projeto deslanchou em 2005, com a publicação de "Poesia", mas já existe desde 1998. Os livros são vendidos pela cidade, principalmente em ônibus e vêm como a simpática sugestão: "para ler no ônibus, em casa, no trabalho, na escola, quando for dormir..." Na minha opinião é uma iniciativa mais do que válida de levar a literatura até as pessoas.

Até agora foram publicados 7 títulos. "Belo Horizonte em verso e prosa" que conta a história da cidade na forma de crônicas, contos e poemas de escritores consagrados e iniciantes. "Lendas e mitos do Brasil" é uma série de pequenos textos de todo o país que contam a história da cidade. "Histórias dos Evangelhos", uma tradução de um texto que conta a história deles. "Presente poético" é que traz 73 poesias de autores emergentes e consagrados. "Poesia" é uma coletania de poesias. "Prosa" é uma coletência de contos. E, por fim "Crônicas em rede" é uma coletânia de crônicas.

Eu comprei "Prosa" e "Lendas e mitos do Brasil". Acabei de ler Prosa e os contos são ótimos, de escritores que vão de Machado de Assis (é um dos legais) a Júlia Lopes de Almeida. Dá pra ver que eles estão aplicados na idéia de fazer literatura para quem não tem o custume de ler. Os contos são leves, divertidos e de fácil leitura.

Qualquer pessoa pode mandar textos ou se oferecer como voluntário do projeto. É só entrar em contato com eles.

Quem tem interesse em comprar algum livro pode mandar e-mail telatexto@ufmg.br ou zeze_castroalves@yahoo.com.br ligar para (31) 9271-1870 ou 3409-9366. Eles não vendem pelo site, mas acredito que se você mandar um e-mail eles mandam o livro. Se eles não fizerem isso e você quiser muito, pode me mandar um e-mail no livrolivre@bol.com.br que a gente combina de eu mesma mandar ele.

Além dos livros eles têm outras iniciativas. Elas vão desde de alfabetização a construção de uma blog para quem acabou de aprender a escrever. Vale a pena conhecer.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Livro da Semana - 12 maio


Esses dias meu namorado me deu o melhor presente que uma garota pode querer. Um livro bonitão, feito a mão com direito a costura e tudo!

O livro se chama Bartlebly, o Escrivão - Uma história de Wall Street de Herman Melville, o mesmo cara de MobyDick, e conta a história de um escrivão que dá como resposta para tudo que o chefe lhe pede "Acho melhor não". Eu ainda não li, mas tenho a impressão que a temática se assemelha a da peça "Dizer sim" de Griselda Gambaro, que mostra os perigos de se dizer sim a tudo e a todos. Assim que eu ler ele eu faço um texto sobre o livro e conto se minha apressada comparação foi fundada.

O livro obviamente foi feito de maneira artesanal. A capa é de um papel meio grosso, mas não muito, verde com escritos em preto, imitando toda aquela estética antiga dos livros. Quando vocÊ tenta abrir ele... surpresa! Ele é costurado fechado. Você tem que ir desfazendo a costura para abrir ele. No site eles dizem que dá para puxar uma linha lá que tudo abre, mas eu tiver que ir puxando ponto por ponto. O que não foi muito ruim, é meio excitante ir abrindo um livro devagarzinho, puxando a linha. Parece que ele passa a ter mais valor já que é difícil de abrir ele.

Quando você finalmente abre o livro... As folhas são não refiladas!!! Acabei de aprender essa palavra lá no site. Isso significa que elas não foram cortadas do lado. O livro vem com uma reguinha que você usa para ir rasgando a beirada das páginas a medida que lê!!! Olha que legal!

O livro passa um pouquinho do limite dos R$ 25,00, ele custa 28 no site, mas se você olhar o resto do site da editora com uns amigos, pode comprar mais livros e se juntar R$ 60,00 com a galera pode pedir sem pagar frete, isso para qualquer lugar do Brasil! Aí compensa os três pequenininhos reais a mais!!

sábado, 10 de maio de 2008

Autor na batalha de ser publicado!

Estava passeando pelo orkut e vi um anuncio bem interessante:

"Autor novato de Ficção Científica e Fantasia
Olá amigos e amigas.
Meu nome é Klaus Serra (29), sou natural de Fortaleza. Fiz um blog http://www.cammus.blogspot.com/ que fala sobre como escrever um livro, publicá-lo etc e alguns dos títulos que fiz falam sobre ficção científica. Sou autor de 7 romances e gostariam que vocês dessem uma olhada e um feedback. No blog vocês encontrarão sinopses e a trajetória dos livros. A idéia é divulgar meus trabalhos e vender os romances de forma independente - ao menos a princípio. Aguardo a opinião de vocês, respondam por scrap na minha página se possível, ok? Abraços!"

O blog ta no comecinho, parece ele ainda está vendo como fazer isso que se propos, mas a idéia é bem legal, não? Um blog que fala de como escrever e publicar um livro é bem bacana e ver um autor se colocando na internet para vender seus romances de forma independente mostra exatamente o que eu tenho falado. Não é necessário se submeter a toda estrutura de publicação que as editoras impõe. Quer um lugar melhor distribuição e propaganda do que a internet?

E vocês, o que acham? É possível um autor tanto quanto um editora pela internet??


quarta-feira, 7 de maio de 2008

CrimethInc


A CrimethInc é um grande exemplo de até aonde a iniciativa pessoal pode chegar quando se fala de lançar livros fora do circuito das editoras. Até onde ela quiser.

Eles são um grupo anarquista do Oregon, EUA que se juntaram, apesar de continuarem independentes para fazer movimento social. Isso resultou em um monte de coisa. Hoje em dia eles não trabalham mais, ficam por conta do principal produto do grupo, a editora.

Eles tem sete livros publicados. Três são guias e manuais para o anarquismo. O mais famoso, o “Recipes for disaster” não é o que rola na internet com receitas de bombas. Ele prega a mudança social através de iniciativas mais “inocentes” e dá receitas, com direito a ingredientes e modo de fazer, para formação de coletivos, organização de festas, ser solidário, começar um grupo de ação social direta entre muitas outras coisas.

Os outros dois livros são o “Days of war nights of love”, que é um abc do anarquismo e o “Expect resistance”, que conta como tem sido a experiência deles como anarquistas ativos até agora.

Dos quatro restantes, dois são romances. Um é o “Off the map”, que conta a história de duas americanas que decidem viajar pela Europa de mochilão, carona e só ficar em squetchs. Esse livro tem uma história legal. As meninas da história realmente fizeram isso e durante a viagem foram publicando fanzines sobre sua experiência. O pessoal da crimethInc descobriu esse material e achou tão relevante para qualquer pretenso anarquista que eles xerocaram um monte de cópias e enviavam junto com qualquer pedido que recebiam. As meninas descobriram isso, entraram em contato com a editora e juntos eles transformaram os zines em um livro, que é esse amarelinho do site.

O outro romance é “Evasion”, que fala sobre freegans, pessoas que só comem o que acharam no lixo. Não acho legal ser freegan, o livro é formado por contos muito interessantes, mas todos tentam te convencer a ser freegan. Quem tem interesse na dieta vai gostar, com certeza.

Por último eles têm dois livros de poesia. “Rusty String Quartet” e “Stone Hotel”.

Todos os livros tem uma edição linda de morrer. Eu tenho alguns deles aqui e eles são muito bonitos! O papel é reciclado e a tinta é de soja, para não prejudicar o meio ambiente. Alguns tem cor dentro do livro e todos tem um capa colorida bonitona.

E o melhor, o mais caro deles custa U$ 12,00, uns R$ 20,00. E o mais barato? U$ 2,00, cerca de R$ 3,50 por um livro de primeira.

Além dos livros, eles disponibilizam material para download. Só trabalham com copyleft, então tudo é legal. Quem quiser conhecer mais o trabalho pode baixar a primeira edição da revista que eles fazem. Como a impressão dela acabou eles liberaram o dlownload. Vale a pena conhecer.

Claro que eu não estou falando que as editoras independentes brasileiras não estão se esforçando para diminuir o preço e aumentar a qualidade. Nós temos um sério problema de impressão que a galera do Oregon conseguiu resolver. Eles mesmos falam, ‘não conseguiríamos fazer isso no Brasil”. Mas como o Brasil é tudo que a gente tem, vale a pena pensar mais no assunto, ver o que podemos fazer para aumentar a presença de livros baratos, que tratam de temas diferentes e mostrar que a literatura vai além do romance.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Editora Deriva


Para começar, quero deixar claro que o objetivo desse blog é ser um local onde quem se interessa por livros, literatura e movimento social possa se informar e apreciar textos, notícias, resenhas, críticas. A idéia é mostrar para leitores e blogueiros que existe uma alternativa à literatura mainstream.

Não tem outra forma de começar a fazer isso senão mostrando a principal editora alternativa de baixo custo que temos no país hoje. A Editora Deriva. Feita com o esforço de alguns muito interessados e encabeçada por Paulo Capra, essa editora do Rio Grande do Sul vende livros entre R$ 6,00 e R$ 14,00.

São títulos que possuem copyleft, licensa que permite a impressão sem o pagamento de direitos autorais. Capra e alguns colaboradores traduzem os títulos e os imprimem em um sistema "Do it youself" com capas artesanais.

Vale a pena passar lá e conferir o acervo. http://editoraderiva.multiply.com/

O livro dessa semana é da Editora Deriva. "O que Tio Sam Realmente quer" é um livro de Noam Chomsky sobre as ações dos EUA em vários países, incluindo o Brasil vista do ponto de vista de um americano que tem informações e não concorda com o que foi feito. De leitura fácil, o que não é comum para um livro de inquietude social o livro abre o horizonte do leitor, o introduzindo a um mundo de percepção que não temos acesso nas escolas e nos jornais.