quarta-feira, 25 de junho de 2008

E se a gente abrisse mão do livro ser bonitão?

Acredito que é seguro dizer que todo mundo já foi abordado por algum vendedor de poesias. São pessoas que ficam na porta de centros culturais, em frente a cafés e nas universidades, te oferecendo uma folha ou um caderninho de poemas. Normalmente eles não cobram muito pelo que fazem, o máximo que eu já paguei foi R$ 5,00 por uma brochura bem gordinha de poesias, o "Palavriado" do Renato Limão.

Eu estava pensando sobre o que essas pessoas fazem. Escrevem poesias - coisa que eu acho super difícil - e se colocam no lugar absurdo de complicado, que é o de vender sua arte pessoalmente, entrando em contato direto com as pessoas que compram. E, conseqüentemente , colocando a cara a tapa. Isso requer uma coragem que nem todo mundo tem - eu me incluo aqui. Sempre compro esses caderninhos. Não porque eu goste de poesia, porque eu não gosto, mas porque eu acho essa iniciativa tão legal que não deixo de pegar.

Os últimos que comprei foram o Mais ou Menos do Guilherme Coruja, e O SOL d'O SUL do Lênon Kramer. Os dois vendem em Belo Horizonte, mas com certeza na sua cidade tem outras pessoas que vendem outros caderninhos.

Acho que eu já deixei bem claro que tenho uma enorme admiração por quem vende seu trabalho cara a cara com o cliente. E foi pensando nisso que eu me dei conta que, tirando os livros a R$ 2,00 do pojeto a tela e o texto, eu nunca vi ninguém que escreve prosa vender seus livros dessa forma. Já vi gente vendendo livros que foram impressos por editoras nas ruas, mas nunca vi alguem com um conto, por exemplo, impresso em papel comum. E eu acho que essa é uma idéia muito boa!

Em todos os lugares vejo o pessoal querendo publicar seu livro. Mas o objetivo de publicar não é ser lido? Que forma melhor de ser lido do que colocando o material na frente das pessoas a um preço acessível? Pensa só, se você imprime um conto, ou tira xerox fica baratinho. Aí você vende por digamos... R$ 1,00. A cada conto vendido ganha uma grana. E a cada conto vendido você conhece a pessoa que comprou ele, pode trocar uma idéia, ou só vender e ficar feliz pensando que aquela pessoa vai ler o que você escreveu. Eu acho que isso funcionaria bem.

Eu vou tentar acabar um conto e ver se eu reúno coragem para fazer isso. Não custa nada tentar, né?

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3 comentários:

fabio disse...

first blood :)

Coruja e Caracol disse...

BH,5 de maio de 2009

Oi Denise! passei por passar. Os Jornais(zinhos) estão na nona edição, encaminhando pra décima; sendo vendidos sempre no Malletta e região quem quiser me pagar uma cachaça é só passar por lá! Eu concordo com o seu texto e conheço os poetas citados, são inclusive grandes amigos meus. com relação ao número de escritores que não só vendem, mas produzem seus trabalhos desde de o rascunho até a diagramação final,testemunho a existência de um exército crescente que vem surpreendendo não só com a qualidade dos trabalhos literários, como também pela diversificação de suas manifestações artísticas, culturais e sociais. A surpresa não para por aí a abrangência dos textos vem demonstrando um valor que geralmente é esquecido, o fato de que a grande maioria desses são auto-didatas com histórias de superações que se fazem comum a esses, graças ao aspecto marginal ao qual são lançados. A diferenciação deveria partir da existência una e não dessas classificassões, acadêmico ou não acadêmico; patrocinado ou mangueado e etc... Não faço das minhas palavras nada além da minha opinião individual. Adorei perceber a seriedade com a qual você trata este tema e espero você ansiosamente no Malletta para uma conversa e três cachaças! com carinho Guilherme Coruja.

Jornal Mais ou menos (maisoumenospoesia.wordpress.com)

Editora do Cerrado

Fábio Cezar disse...

Eu também divulgo dessa maneira minha poesia! fabiocezar.blogspot.com