segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma bienal sem grandes novidades

Uma das principais expectativas que eu tinha ao visitar a Bienal do Livro de Minas era conhecer os pequenos tesouros do lugar. Livros, autores e oportunidades que não teria em outro lugar, que somente um evento do calibre de uma bienal poderia oferecer. Tirando poucas exceções, fiquei de mãos abanando após a visita ao evento nesse domingo.

Ao entrar no Expominas encontrei um espaço bem pensado e organizado. Um mar de estandes e quatro espaços para conversas, debates, mesas redondas etc. Porém, não encontrei nada que não poderia conhecer em qualquer uma das lojas da Livraria Leitura. Os livros são os mesmos e os preços não mostram grande diferença. Pagar 33,90 ao invés dos 39 do preço integral não é grande diferença. Principalmente quando os visitantes estão pagando R$ 10 reais para entrar e R$ 15 pelo estacionamento.

Um dos únicos estandes que valeu a visita foi o do Grupo Editorial Record, que trouxe livros que não necessariamente chegam em Belo Horizonte e Minas Gerais, e oferecia promoções em obras que não são resto de estoque. Tão Ontem do Scott Westerfeld, por exemplo, podia ser comprado por R$ 9,90 ao invés do R$ 45 que eu paguei originalmente.

É claro que eu posso estar sendo muito exigente com a organização do evento. Estou atenta ao que acontece no mercado editorial nacional e internacional e talvez por isso, o evento falhou em me surpreender. Eu já conheço os livros antes de saírem no Brasil e sei o que cada editora faz, logo a bienal não teria como apresentar algo novo aos meus olhos.

Apesar disso, acredito que faltou no evento livros e editoras originais do Brasil. Não estamos no exterior, estamos em Minas Gerais. A bienal deste estado deveria apresentar autores mineiros, estandes que mostrem o que é feito no Brasil, o que só pode ser encontrado aqui. Não simplesmente traduza e regurgite a cultura de outro lugar sem ao menos salpicar um pouco do talento que temos.


Convidados

Enquanto os estandes mostravam o melhor da literatura americana, os debates compensavam a falha e apresentaram aos visitantes autores, poetas e jornalistas brasileiros e talentosos. Na Arena Jovem, foi feita uma homenagem ao falecido Alécio Cunha, poeta e editor do caderno do cultura do Jornal Hoje em Dia. Nela conhecemos outros três poetas mineiros Jovino Machado, Kiko Ferreira e Wilmar Silva.

Ainda na Arena Jovem foi possível escutar três mulheres que ousaram e construíram um caminho próprio na literatura. Laura Mediolli, Sabrina Abreu e Cristiana Guerra falaram sobre seus livros e escolhas para um publico que se apertava para escutar e provava para quem se interessar em ver que há interesse do público no que é feito aqui.

2 comentários:

Edson Sguizzato disse...

Concordo com você. Visitei a bienal ontem também e notamos que a diferença nos preços, quando existia, era mínima. Maioria dos casos comprar pela internet fica mais em conta.

Bernardo Schuchter disse...

Vc por aqui Edson!